História

A Cidade

Cordisburgo MG: Aproximadamente 8.500 habitantes. É a terra natal do escritor Guimarães Rosa, tendo o museu dele como referencia. Faz parte do Circuito das Grutas, um dos principais pontos turísticos do estado de Minas Gerais. Além disso, tem a Gruta doMaquine e várias esculturas, de um escultor local, espalhadas pelos pouco mais de 800.000 quilômetros quadrados. A cidade não tem nenhuma indústria e a principal fonte de renda é a agropecuária.

O Início

Sargento Leonardo Leandro Sousa Diniz

Sargento Leonardo Leandro Sousa Diniz

Sargento Leonardo Leandro Sousa Diniz, nasceu em uma cidade chamada Matozinho, e juntamente com a mãe e os 3 irmãos, partiu para Montes Claros a nova morada da família. O Sargento chegou lá com cinco anos e por lá ficou até os nove, quando sua mãe foi trabalhar em outra cidade, e ele e os irmãos ficaram morando com a avó.

Léo estava cansado de viver na rua e sempre teve o sonho de estudar, e comprar uma casa para sua mãe. Decidiu tentar morar com uma tia em Sete Lagoas, onde poderia ter mais opção. Através de muito estudo conseguiu realizar o desejo de chegar à Polícia Militar, em 2001, quando foi morar em Cordisburgo.

Dentro do batalhão, tinha vontade de estudar para ser professor. Decidiu cursar direito e se formou com tema de monografia relacionado à serviços sociais como combate a criminalidade. A partir daí começou a dar aula nos quartéis e também em escolas públicas sobre combate à violência e as drogas. É adorado por toda a cidade por conta disso.
Hoje ele é monitor do centro de formação de novos sargentos, policial em Sete Lagoas, mesmo morando em Cordisburgo. Trabalhou lá por 12 anos e foi realocado porque políticos tinham medo que ele se candidatasse a prefeito. É professor de outros sargentos, professor de escola pública no combate às drogas, presidente da orquestra Vitalina Corrêa e, incrivelmente, o Papai Noel oficial da cidade. É muito conhecido. Tem o título de cidadão honorário de Cordisburgo.

Foi a esposa dele, a Telma, quem escreveu a carta. Nascida e criada em Cordisburgo. Fala com um amor impressionante da cidade. Filha de dona de casa com ferroviário. Pós-graduada em história de Minas e professora de história e artes da rede pública. Leciona na parte da manhã e a tarde trabalha no sindicato da cidade.

A Banda

logoSargentinho estava no quartel quando duas pessoas o questionaram sobre ele usar a liderança dele para reerguer a banda da cidade. Ele nunca soube que tinha existido uma. Começou a pesquisar e descobriu a Vitalina Corrêa, fundada em 1948, e que estava parada há mais de dez anos por conta de uma dívida de 17 mil reais. Léo não pensou duas vezes e decidiu reerguer a banda como um projeto social, para atender todas aquelas crianças que ele ensinava o combate à violência e às drogas. Fez rifa, vendeu geladeira, televisão, pagou a dívida e reergueu a banda em 2006. Não tinham lugar para ensaiar e faziam isso em qualquer espaço desde o meio da rua até casas emprestadas. O projeto foi ganhando corpo e em 2012 ele conseguiu um terreno. Eles ensaiam num espaço precário, com instrumentos precários. O Léo toca absolutamente tudo, mas não entende de música o suficiente para ser o Maestro. Contrataram um maestro que recebe um salário mínimo + uma ajuda de custo. Nesse momento Léo contou muito com a ajuda da Dona Hayde, uma senhora de 87 anos que tinha sido da diretoria da Vitalina Corrêa na década de 60. Proprietária de um restaurante, ela ajudou bastante em termos financeiros.

Até hoje nutre um amor pelo ator Lima Duarte, que freqüentava a cidade por ser fã do Guimarães Rosa. Ele tem fotos com a banda, etc. Hoje são aproximadamente 50 pessoas, entre jovens e adultos, mulheres e homens, que participam do projeto. O Léo é praticamente o pai deles. Ensaiam duas vezes por semana e sobrevivem de doações, rifas, salário do Léo, etc. Apenas o maestro ganha salário e ninguém paga absolutamente nada para participar.

O sonho é ter um espaço em que possa atender muito mais jovens e ampliar o trabalho. Eles têm 27 instrumentos, todos doados ou conseguidos através de pedidos no governo. O sonho do Léo e das crianças é tocar com o Kenny G e com o Maestro João Carlos Martins. O sonho da Dona Hayde, ainda lúcida, é rever o Lima Duarte.